Nos últimos tempos, muitos homens têm demonstrado irritabilidade exacerbada, impaciência e cansaço, acompanhados de diminuição da libido e falta de motivação. Esse conjunto de sintomas tem sido chamado de “TPM masculina” ou Síndrome do Homem Irritável (SHI).
Essa condição, longe de ser apenas um rótulo, serve como ponto de partida para discussões sobre hormônios, saúde mental e as transformações na masculinidade, ganhando relevância durante o Novembro Azul, campanha focada na saúde masculina.
É importante ressaltar que SHI não é um diagnóstico médico formalmente reconhecido. O termo é utilizado para descrever um conjunto de sintomas como irritabilidade, fadiga, baixa libido, perda de motivação e alterações de humor, frequentemente associados à queda nos níveis de testosterona. Em consultórios, pode ser usado para se referir a um quadro semelhante ao hipogonadismo tardio masculino, também conhecido como deficiência androgênica do envelhecimento masculino ou andropausa. No entanto, antes de atribuir a causa ao hormônio, é crucial descartar outras condições médicas e psiquiátricas.
A testosterona, além de estar ligada à libido, desempenha um papel fundamental na regulação do humor e da energia. A partir dos 30-35 anos, ocorre uma queda natural e gradual da testosterona, cerca de 1% ao ano, que pode ser acelerada por fatores como estresse crônico, sedentarismo, obesidade abdominal, doenças metabólicas, uso de certos medicamentos e sono inadequado. Essa diminuição pode se manifestar em irritabilidade, baixa tolerância ao estresse, desânimo, queda da libido, fadiga, perda de massa muscular, aumento da gordura corporal, sono fragmentado e dificuldade de concentração.
A irritabilidade, muitas vezes, surge como uma forma “aceitável” de expressar sofrimento na cultura masculina, onde demonstrar vulnerabilidade é visto como fraqueza. Assim, a irritação pode funcionar como uma armadura para esconder sentimentos como medo, solidão, insegurança e frustração.
A SHI pode ser entendida como um sinal de que o corpo necessita de atenção emocional. A queda de testosterona, o estresse crônico e a exaustão emocional afetam neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, impactando o humor e a tolerância emocional. Ao mesmo tempo, emoções reprimidas e sobrecarga mental também influenciam o sistema hormonal, levando ao desgaste crônico.
Os sintomas da SHI podem se sobrepor aos da depressão, ansiedade e burnout, como cansaço, irritabilidade, queda de produtividade, falta de interesse e alterações no sono. É fundamental procurar avaliação médica e psicológica para um diagnóstico preciso, incluindo exames de testosterona e avaliação da saúde mental.
A terapia de reposição de testosterona (TRT) não é uma solução universal e só deve ser considerada em casos de sintomas clínicos compatíveis e níveis de testosterona abaixo do normal, após descartar e tratar outras causas reversíveis.
Mudanças no estilo de vida, como sono adequado, atividade física regular, alimentação equilibrada, redução do consumo de álcool e tabaco, controle do estresse e manutenção de um peso saudável, podem ser fundamentais para o equilíbrio hormonal e o bem-estar geral.
Cuidar da saúde, tanto física quanto mental, é essencial para todos os homens. A “TPM masculina” nos leva a questionar o modelo de masculinidade que perpetuamos, incentivando a busca por um homem que se permita sentir, pedir ajuda e cuidar de si mesmo. A irritação, assim, deixa de ser uma armadura e passa a ser apenas mais uma emoção a ser sentida, nomeada e cuidada.
Fonte: vidasimples.co