Vera holtz: abrace a insignificância para uma vida mais leve

Diego Brito
Diego Brito

No palco, a montagem para a peça “Ficções” está a todo vapor, preparando o ambiente para a chegada de Vera Holtz. A renomada atriz, natural de Tatuí, interior de São Paulo, e com formação em artes plásticas, irradia uma energia contagiante. Durante a pandemia, suas redes sociais se transformaram em uma galeria de arte performática, inspirando inúmeras pessoas. Acolhendo a reportagem com um sorriso, ela apresenta sua equipe e convida para um bate-papo em seu camarim, um espaço íntimo que divide abertamente.

A peça, inspirada no best-seller “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, do historiador Yuval Noah Harari, não se propõe a ser uma adaptação direta do livro para o teatro. Em vez disso, Vera explora, desconstrói e interage, atingindo profundidades da psique do público. A narrativa mergulha na capacidade humana de criar e acreditar em ficções, como deuses, dinheiro e nações.

Sentada em seu camarim, sem maquiagem e com um café e biscoitos à mão, a atriz de 73 anos compartilha sua visão sobre como abandonar a ilusão de grandeza e aceitar a falta de controle sobre a vida são ingredientes essenciais para uma existência mais leve. Para ela, a vida é um rio, o tempo é seu guia, e a lucidez, a melhor das experiências. Como sua personagem expressa em um momento da peça: “Abrace sua insignificância. A gente não gosta de pensar assim, mas a vida inteira é uma caótica sucessão de acasos”.

Em um bate-papo revelador, Vera Holtz compartilha suas reflexões sobre as ficções e crenças que moldam a sociedade, expressando um otimismo inabalável em relação ao futuro. Ela ressalta a importância das narrativas para sustentar a vida e a capacidade humana de criar e “descriar” essas histórias coletivamente.

A atriz enfatiza que a expansão da consciência é um processo desafiador, e o amor-próprio é fundamental para amar o próximo. Ela observa uma crise nos valores antigos e a construção de novos paradigmas, considerando um privilégio vivenciar essa transformação, apesar dos desafios.

Holtz defende a aceitação da insignificância como um caminho para uma vida mais plena e flexível, incentivando a vivência do presente e a nutrição da mente com estímulos positivos e criativos. Ela compartilha que sempre foi guiada pela intuição e pelo desejo, abraçando o fluxo da vida como um rio que corre para o mar, com seus desvios e aprendizados.

Para ela, o tempo é um guia constante, e a arte desempenha um papel crucial em um mundo que supervaloriza o desempenho. Vera Holtz afirma que a arte protege e nutre desde o início da vida, e ela não concebe viver sem ela. A atriz se mantém presente e conectada com a vida através da apreciação da beleza do cotidiano e da valorização da lucidez.

Ao abordar a finitude com leveza e humor, Vera Holtz revela que já experimentou diversas “mortes” ao longo da vida, e que a memória daqueles que se foram permanece viva em sua essência. Ela acredita que a vida é uma dinâmica do acaso e valoriza o lúdico, o afeto e o compartilhamento.

Deixando uma mensagem inspiradora, Vera Holtz convida a todos a abrirem o coração, o carinho e o desejo pelo outro, incitando a um 2026 repleto de conexões e empatia.

Fonte: vidasimples.co

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