Racismo religioso em escola de são paulo levanta debate sobre educação antirracista

(Divulgação) Obra 'Rita e a coragem de ser quem se é' é assinado pela jornalista Maria Caroli...
(Divulgação) Obra 'Rita e a coragem de ser quem se é' é assinado pela jornalista Maria Caroli...

Um caso de racismo religioso em uma escola infantil de São Paulo reacendeu o debate sobre a importância da educação antirracista no Brasil. O incidente ocorreu na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Antônio Bento, em Caxingui, durante o mês da Consciência Negra, um período dedicado à luta contra o racismo.

A controvérsia teve início com um desenho feito por uma criança de 4 anos, representando Iansã, uma divindade africana cultuada no Brasil desde o período do Quilombo dos Palmares. O pai da criança, um militar, manifestou sua discordância com a abordagem da religião africana na escola, alegando que sua filha estava sendo submetida a um ensino religioso que ele não aprovava.

A situação escalou com a presença da Polícia Militar na escola, incluindo um agente portando uma metralhadora. A presença de uma arma de fogo em um ambiente infantil, motivada pelo desenho de uma divindade afro-brasileira, gerou indignação e questionamentos sobre os limites do racismo estrutural na sociedade brasileira.

O desenho de Iansã foi resultado de um trabalho pedagógico baseado no livro “Ciranda de Aruanda”, uma obra adquirida pela Prefeitura de São Paulo para promover a educação antirracista nas escolas municipais. O livro busca apresentar e valorizar a cultura afro-brasileira, em consonância com a Lei 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nos currículos escolares.

O incidente na Emei Antônio Bento expõe a persistência do racismo religioso e a necessidade urgente de combater o preconceito e a discriminação desde a infância. A Lei 10.639 garante o direito das crianças a conhecerem e valorizarem a cultura afro-brasileira, e as escolas têm o papel fundamental de promover uma educação inclusiva e respeitosa com todas as religiões.

Apesar dos avanços legais, o racismo estrutural ainda se manifesta de diversas formas na sociedade brasileira. A defesa da educação antirracista é essencial para garantir que as futuras gerações cresçam em um ambiente livre de preconceito e com pleno acesso à informação sobre a diversidade cultural do país.

A população brasileira é composta por uma maioria negra, com 55,5% dos habitantes se autodeclarando pretos ou pardos, segundo o IBGE. Diante desse cenário, é fundamental que a sociedade brasileira se una no combate ao racismo e na defesa dos direitos de todas as crianças e adolescentes a uma educação completa e inclusiva.

Fonte: vidasimples.co

ANÚNCIOS

// bombando!

// Veja também