A música brasileira está de luto. Jards Macalé, renomado músico carioca, faleceu nesta segunda-feira, aos 82 anos. O artista estava internado em um hospital no Rio de Janeiro. A notícia foi confirmada por meio de suas redes sociais.
Macalé, figura emblemática da cena musical do país, iniciou sua trajetória nos anos 60 e mantinha-se ativo, com shows agendados para o mês de dezembro. Nascido na Tijuca, no Rio de Janeiro, ele era reconhecido como compositor, arranjador, cantor e violonista. Sua postura vanguardista e a recusa em ceder às pressões comerciais da indústria lhe renderam o apelido de “maldito” da MPB. Macalé sempre demonstrou abertura para novas sonoridades, explorando e se reinventando constantemente.
Ao longo de sua carreira, teve composições interpretadas por artistas como Nara Leão, Gal Costa e Elizeth Cardoso. Desempenhou o papel de diretor musical no álbum “Transa”, de Caetano Veloso. Em 1973, desafiou a ditadura militar com o show “O Banquete dos Mendigos”, evento que celebrou o 25º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Em 2022, lançou o disco “Síntese do Lance” em colaboração com João Donato. Em 2023, aos 80 anos, apresentou o álbum “Coração Bifurcado”. No ano passado, realizou seu último registro musical ao lado de Joyce Moreno, com o single “Um abraço do João”, uma homenagem a João Gilberto.
Em entrevista concedida à TV Brasil em 2023, Macalé compartilhou sua visão sobre a arte, afirmando que “arte é feita para experimentar, é para arriscar qualquer coisa que você tenha vontade de fazer e que não seja o óbvio.”
O presidente Lula prestou homenagem ao músico nas redes sociais, relembrando a participação de Macalé na luta pela redemocratização e destacando seu talento e arte como ferramentas de resistência contra o autoritarismo.
O Ministério da Cultura manifestou profundo pesar pela morte do músico, ressaltando seu papel fundamental na música brasileira e na vanguarda cultural do país. A pasta afirmou que a contribuição de Jards Macalé para a arte brasileira permanece como um patrimônio imaterial, vivo e inspirador.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br