A sensibilidade, muitas vezes negligenciada em meio a metas e habilidades, encontra na poesia um terreno fértil para florescer na infância. A poesia oferece às crianças uma perspectiva única, permitindo-lhes explorar emoções e sutilezas do cotidiano que a lógica nem sempre alcança. Segundo especialistas, a leitura de poemas desde cedo é comparável a “uma escuta do coração”.
O ritmo, as rimas e a musicalidade presentes nos poemas proporcionam uma estrutura interna para as crianças, ajudando-as a se acalmarem e a se conhecerem melhor, desenvolvendo o que se define como “mundo interno”. A ênfase excessiva em habilidades cognitivas e motoras pode levar à formação de indivíduos eficientes, porém, desprovidos de uma conexão profunda consigo mesmos. A poesia, que reside na pausa, é essencial para cultivar essa sensibilidade, tornando as crianças mais resilientes à ansiedade, mais empáticas e mais equilibradas internamente.
Os poemas também atuam como ferramentas valiosas para lidar com emoções complexas. Ao se depararem com versos que expressam sentimentos como tristeza ou angústia, as crianças se identificam e encontram acolhimento. A metáfora, nesse contexto, funciona como um espelho que reflete e traduz aquilo que elas ainda não conseguem verbalizar.
Em um esforço para nutrir esse terreno fértil, foram selecionados alguns livros de poemas que podem enriquecer o dia a dia das crianças:
‘Ou Isto ou Aquilo’: De Cecília Meireles, apresenta a criança às escolhas da vida. Através de dilemas simples, a autora mostra que cada decisão abre um caminho, enquanto simultaneamente fecha outro, ensinando que não é possível estar em dois lugares ao mesmo tempo.
‘Em cima daquela terra’: De Eucanaã Ferraz, com ilustrações de Yara Kono, parte de uma parlenda popular para transformar a serra em um local de possibilidades. O poema estimula a observação e o exercício da imaginação, incentivando a conversa entre adultos e crianças.
‘Cantigas por um passarinho à toa’: De Manoel de Barros, abre as portas para um mundo onde a lógica se esvai e a imaginação ganha espaço. Os poemas criam um ambiente de invenção, transformando objetos comuns em personagens surpreendentes.
‘Cantigamente’: De Leo Cunha, desperta a capacidade de invenção das crianças, com poemas que são verdadeiras brincadeiras de linguagem. O livro oferece um espaço onde o absurdo é bem-vindo, e a imaginação pode se libertar.
‘Um caldeirão de poemas’: De Tatiana Belinky, reúne a poesia da autora e quadrinhas populares traduzidas de diversas línguas, apresentando figuras que habitam entre o real e o imaginário.
Fonte: vidasimples.co