Enjoo em viagens: entenda as causas e saiba como evitar o mal-estar

Mariana Suzuki
Mariana Suzuki

Para muitos, o simples ato de entrar em um carro e iniciar uma viagem pode desencadear uma série de sintomas desagradáveis. Calafrios repentinos, respiração ofegante e um mal-estar acompanhado, por vezes, de dores de cabeça, transformam o prazer de viajar em uma experiência tensa e desconfortável. Ler ou utilizar dispositivos eletrônicos durante o trajeto torna-se praticamente impossível.

Esse desconforto, conhecido como enjoo de movimento, tem uma explicação científica. Ele surge quando o corpo recebe informações conflitantes entre a visão, o ouvido interno e o sistema sensorial, causando uma espécie de “curto-circuito” que confunde o cérebro. Compreender a origem desse problema é o primeiro passo para prevenir o mal-estar e garantir viagens mais agradáveis.

O enjoo de movimento não se restringe apenas a viagens de carro. Ele pode ocorrer em aviões, navios, barcos ou em qualquer situação onde o movimento percebido pelo corpo não coincide com o que os sentidos registram.

A raiz do problema reside em um conflito interno. Enquanto a visão informa ao cérebro que estamos parados – algo comum quando lemos, utilizamos o celular ou focamos em objetos dentro do veículo –, o labirinto, estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio, detecta o movimento.

Essa divergência de informações aciona um estado de alerta no organismo, semelhante a uma reação de perigo. O cérebro interpreta a situação como uma potencial ameaça, ativando o sistema nervoso autônomo e desencadeando uma série de reações fisiológicas, como náuseas, sudorese, aumento da salivação, palidez e até mesmo queda da pressão arterial. O sistema nervoso central funciona como um “detector de inconsistências sensoriais”.

A suscetibilidade ao enjoo de movimento pode ter uma predisposição genética, explicando por que famílias inteiras compartilham a mesma sensibilidade. No entanto, também existe o enjoo secundário, associado a outras condições, como enxaquecas frequentes e doenças do labirinto.

Algumas condições podem aumentar ainda mais a vulnerabilidade ao enjoo, incluindo enxaqueca, que causa maior excitabilidade do tronco encefálico; ansiedade, que amplifica a resposta autonômica; e distúrbios vestibulares, que alteram a qualidade dos sinais enviados ao cérebro.

Antes que a náusea se manifeste, o corpo envia sinais de alerta, como aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da transpiração, palidez, sensação de calor, respiração curta e desconforto crescente.

Crianças e jovens são mais propensos ao enjoo, pois seu sistema vestibular é mais sensível e ainda está em desenvolvimento. Essa sensibilidade tende a diminuir com o tempo, geralmente após o final da adolescência. No entanto, sintomas persistentes de tontura ou náusea merecem atenção e avaliação médica.

Para prevenir o enjoo, algumas medidas simples podem ser tomadas antes da viagem, como dormir bem na noite anterior, evitar refeições pesadas ou longos períodos de jejum, optar por alimentos leves e manter uma boa hidratação.

Durante o trajeto, é recomendado olhar para a frente, evitar ler ou usar o celular, relaxar e, se necessário, utilizar óculos anti-enjoo.

O cérebro pode ser treinado para tolerar melhor os estímulos de movimento por meio da exposição gradual, fixação do olhar, hidratação adequada, evitando o jejum e garantindo um sono de qualidade. Quanto mais a pessoa viaja, menor tende a ser sua sensibilidade ao enjoo, pois o cérebro aprende a processar os estímulos como não ameaçadores.

Fonte: vidasimples.co

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