O final de ano traz consigo uma onda de sentimentos intensos, que vão da euforia à apreensão, potencializados por uma série de estímulos de consumo: promoções, presentes, viagens e a pressão para celebrar. Em meio a tudo isso, manter o equilíbrio financeiro torna-se um desafio crucial para evitar um 2026 marcado por dívidas.
De acordo com o educador financeiro Thiago Godoy, o período é marcado por um acúmulo de cansaço e uma forte pressão social, gerando uma busca por recompensa. Essa atmosfera favorece o pensamento de “eu mereço”, similar ao que ocorre às sextas-feiras.
É essencial resistir às armadilhas do consumismo. Comprar é uma necessidade, mas o excesso pode comprometer a saúde financeira. Antes de ceder ao impulso, é importante questionar a origem dessa vontade incontrolável de consumir.
A influência do marketing
As estratégias de marketing do fim de ano são meticulosamente elaboradas para dialogar com as emoções e a razão, utilizando gatilhos como “última chance”, “descontos imperdíveis” e “estoque limitado”.
Godoy explica que muitas vezes a compra é motivada pelo medo do arrependimento. A pessoa pondera que o preço está atrativo, há dinheiro disponível, como o décimo terceiro salário, e a oportunidade pode não se repetir.
“Essa pressão, somada à enxurrada de anúncios nas redes sociais, pode levar a um verdadeiro transe do consumo.”
O ciclo de ansiedade, culpa e prazer
O ato de gastar além das possibilidades revela uma complexa interação de emoções, incluindo ansiedade, culpa e prazer. A ansiedade impulsiona a compra, que proporciona uma sensação imediata de prazer, liberando serotonina e dopamina no cérebro.
“No entanto, essa satisfação é seguida pela culpa, que se manifesta com a chegada da fatura do cartão. A pessoa se arrepende da compra, percebe que não tem como pagar ou que comprometeu sua capacidade de poupar”, relata Godoy.
“O consumo emocional surge como uma tentativa de preencher um vazio, uma carência, uma frustração, uma necessidade de pertencimento ou aceitação. O problema é que o prazer proporcionado pela compra é efêmero, enquanto a dívida pode durar meses ou anos.”
Segundo o educador financeiro, o consumo pode ser uma “fuga emocional elegante”, onde o indivíduo busca sensações de pertencimento, poder ou autoestima, mascarando solidão, insatisfação pessoal ou profissional, frustrações conjugais e falta de propósito.
“A pessoa consome porque não encontra significado no trabalho ou em outras áreas da vida. Existem questões mais profundas a serem resolvidas. O alívio proporcionado pela compra é temporário, e o vazio retorna, acompanhado da fatura do cartão. Pagar apenas o mínimo da fatura pode levar a um colapso financeiro”, alerta Godoy.
Estratégias de controle
Para evitar cair na armadilha do impulso, é fundamental desenvolver consciência financeira, planejar e estabelecer limites claros. O objetivo não é proibir o prazer, mas evitar que ele se transforme em arrependimento, dívida e ansiedade no futuro.
Thiago Godoy enfatiza que controlar as finanças não significa privação, mas sim escolhas conscientes. É importante aceitar que nem tudo será possível, mas que é possível desfrutar do que está ao alcance sem culpa ou endividamento.
O especialista oferece algumas dicas para controlar os gastos no fim de ano:
- Avalie sua situação financeira antes de comprar: Seja honesto com sua realidade e aceite o que é possível;
- Priorize a criação de uma reserva financeira: Utilize o décimo terceiro salário ou outros recursos disponíveis;
- Planeje os presentes após garantir a reserva: Defina um valor máximo para os presentes, por exemplo, 20% do décimo terceiro;
- Divida o dinheiro em porcentagens: Sugestão: 40% para reserva, 40% para despesas de início de ano e 20% para presentes;
- Pense no futuro próximo: O objetivo é iniciar o ano sem dívidas e com tranquilidade financeira;
- Lembre-se: O dinheiro é uma ferramenta, não um支配者. Ele deve servi-lo, não aprisioná-lo;
- Comemore com consciência: Valorize suas conquistas e priorize a tranquilidade para o próximo ano.
Fonte: vidasimples.co