Inspirada nas formas de uma casca de amendoim e com um design que evoca as antigas moradas humanas em cavernas, uma casa orgânica se destaca por suas linhas sinuosas e integração com o terreno. Construída no México, a residência chama a atenção por sua arquitetura inovadora, que busca unir conforto e respeito ao meio ambiente.
Localizada no distrito de Naucalpan de Juárez, a casa foi erguida em 1984 sob a concepção do arquiteto mexicano Javier Senosiain. O projeto divide-se em duas áreas principais: uma para o dia e outra para a noite, com o objetivo de criar uma experiência de imersão na terra para seus habitantes.
A construção exigiu materiais flexíveis. O ferrocimento foi escolhido para criar uma estrutura de metal, coberta por telas e cimento, finalizada com poliuretano extrudido. A parte frontal da casa é voltada para o sol e abriga sala de estar, sala de jantar, cozinha e uma área social. A parte posterior, mais reservada e com menor incidência de luz, concentra os quartos, closets e banheiros.
Em 1990, a casa foi ampliada com um anexo inspirado na forma de um tubarão. Localizado na parte mais alta do terreno, o novo espaço oferece vistas panorâmicas da natureza circundante e inclui um escorregador que contorna a lateral da casa.
O design da casa protege os ambientes internos da luz solar direta, com o jardim servindo como cobertura natural. A integração entre interior e exterior é fluida e orgânica, com transições suaves entre os espaços.
O acesso à casa é feito por um túnel que simula a entrada na terra. Na sala de estar, uma grande janela curva proporciona uma ampla vista do exterior, garantindo iluminação natural, especialmente durante o inverno. O interior da casa apresenta um carpete cor de areia, que remete ao solo natural, e essa mesma cor é utilizada nas paredes e no teto, criando uma sensação de continuidade.
A forma orgânica da casa se reflete nos sofás curvos e no mobiliário integrado, que facilita a circulação. Nichos esculpidos nas paredes substituem os armários tradicionais. Os ambientes são bem iluminados e ventilados, enquanto os corredores internos são mais baixos, estreitos e escuros, criando uma atmosfera de aventura subterrânea.
O banheiro segue a estética da casa, com paredes curvas e tons terrosos que criam um ambiente acolhedor. Revestimentos azuis quebram a monocromia predominante. A iluminação é suave, com luz natural que entra por uma claraboia estrategicamente posicionada.
Um dos aspectos mais notáveis do projeto é o conforto térmico. A casa dispensa o uso de ar condicionado, pois a terra e o sol trabalham juntos para manter uma temperatura interna estável, que varia entre 18°C e 22°C ao longo do ano, garantindo ambientes frescos no verão e aquecidos no inverno.
O arquiteto viveu na casa com sua família por 25 anos. Atualmente, o espaço é utilizado para exposições e sessões de fotos, demonstrando a harmonia entre a arquitetura e a natureza e a busca por uma vida mais simples e conectada ao meio ambiente.
Fonte: tuacasa.uol.com.br