O mundo da arquitetura lamenta a perda de Frank Owen Gehry, o renomado arquiteto canadense-americano, falecido nesta sexta-feira, aos 96 anos, em sua residência em Santa Monica, Califórnia. A informação foi confirmada por sua chefe de gabinete, Meaghan Lloyd. Segundo relatos, a causa da morte foi decorrente de complicações de uma doença respiratória.
Gehry, alçado ao status de “starchitect”, deixa um legado de obras icônicas que desafiaram as convenções e cativaram o mundo com suas formas inovadoras. Entre suas criações mais celebradas, destaca-se o Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, uma estrutura revestida de titânio que se tornou um símbolo da cidade e um marco na arquitetura contemporânea.
Sua genialidade também se manifestou em outras obras notáveis, como o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, o Fishdance Restaurant, no Japão, e o Vitra Design Museum, na Alemanha. Gehry foi um dos principais expoentes do Desconstrutivismo, um movimento arquitetônico pós-moderno que emergiu na década de 1980 e que buscava expressar emoção através de superfícies fragmentadas e não lineares.
Nascido Ephraim Owen Goldberg, o arquiteto nutria uma paixão pela construção desde a infância, quando passava horas criando cidades imaginárias com seu avô. De origem polonesa e judaica, Gehry nasceu em Toronto, Canadá, mas mudou-se com a família para os Estados Unidos em 1947. Lá, estudou arquitetura na Faculdade do Sul da Califórnia e se especializou em design na Universidade de Harvard.
Após adquirir experiência em diversos escritórios, Gehry fundou a Frank O. Gehry & Associates Inc. em 1962. Além de sua atuação na arquitetura, o designer também contribuiu para o mundo do design de móveis, criando a linha Easy Edges, composta por peças feitas de papelão ondulado. Nos anos 1980, ele retomou a criação de móveis e, no início da década de 1990, desenvolveu cadeiras com tiras de madeira para a Knoll.
Demonstrando seu interesse em projetos residenciais, Gehry remodelou a casa de sua família em Santa Monica, em 1979, rompendo com as normas tradicionais e adotando uma estética inacabada. Em suas obras, ele frequentemente empregava materiais como metal ondulado, madeira e outros materiais reciclados, o que contribuiu para sua crescente reputação no cenário arquitetônico mundial.
Conhecido por sua personalidade forte e opiniões contundentes, Gehry não hesitava em expressar suas críticas à construção convencional, chegando a afirmar que “98% de tudo o que é edificado e construído hoje é pura m….”. Sua visão sobre a arquitetura era clara: “A arquitetura deve falar de seu tempo e do seu lugar, mas anseia por ser atemporal”. E sua obra, sem dúvida, permanecerá como um legado duradouro. Ao longo de sua trajetória, Gehry recebeu inúmeros prêmios e honrarias, incluindo o prestigioso Prêmio Pritzker, em 1989.
Fonte: revistacasaejardim.globo.com