Acordar com dor na mandíbula, dor de cabeça e uma sensação de cansaço extremo pode ser um sinal de bruxismo, um hábito involuntário de apertar ou ranger os dentes. Essa condição afeta um número crescente de pessoas e está frequentemente ligada ao ritmo acelerado e à sobrecarga emocional do dia a dia.
Muitos indivíduos só descobrem que sofrem de bruxismo quando alguém próximo comenta sobre o ruído durante o sono ou quando começam a sentir dores persistentes. Durante o sono, o controle muscular se torna menos rígido, alternando entre estados de vigília e relaxamento. É nessa transição que os músculos da face podem apresentar hiperatividade, resultando no bruxismo noturno.
O bruxismo não se restringe apenas ao período noturno. Ele também pode ocorrer durante o dia, especialmente em momentos de ansiedade ou estresse. Esse tipo é conhecido como bruxismo diurno ou em vigília.
O estresse é um dos principais fatores contribuintes. Em situações de alerta constante, a musculatura mastigatória permanece tensionada, como se estivesse preparada para reagir a qualquer momento. Esse padrão de contração contínua pode persistir durante o sono.
O bruxismo surge quando há um desequilíbrio entre as áreas do cérebro responsáveis pelo controle do movimento e pela inibição muscular. Regiões como o tronco encefálico, os núcleos da base e o córtex motor tornam-se mais excitáveis, enquanto o controle inibitório diminui. Pequenos despertares durante o sono ativam o sistema nervoso autônomo, aumentando o ritmo cardíaco e facilitando as contrações involuntárias da mandíbula.
As emoções desempenham um papel significativo nesse processo. O estresse aumenta a liberação de cortisol e ativa o sistema simpático, elevando a tensão muscular global. Durante a noite, quando o cérebro reduz o controle consciente, essa carga acumulada favorece o apertamento e o ranger dos dentes.
Estudos recentes têm demonstrado uma forte ligação entre bruxismo e enxaqueca. Pessoas com enxaqueca crônica frequentemente apresentam índices mais elevados de bruxismo em vigília. Essa relação está relacionada ao sistema neurológico, já que ambas as condições compartilham vias neurológicas ligadas à dor e ao processamento sensorial. Um sistema nervoso mais sensível pode reagir de forma exagerada a estímulos comuns.
Indivíduos com enxaqueca apresentam maior sensibilidade nas vias ligadas ao nervo trigêmeo e menor eficiência na modulação da dor. A tensão mandibular causada pelo bruxismo pode intensificar estímulos dolorosos na cabeça e na face, atuando como um fator desencadeante. A combinação de sensibilização central, tensão muscular e predisposição genética aumenta o risco de desenvolver bruxismo em pacientes com enxaqueca.
Sinais de progressão do bruxismo incluem dores faciais, cefaleia ao despertar, ruídos articulares, redução da abertura bucal, piora da qualidade do sono e irritabilidade, além de dificuldade em relaxar os músculos da face e pescoço.
A placa de bruxismo é frequentemente recomendada, mas é importante notar que ela não cura a condição. Ela protege os dentes e redistribui as forças musculares, reduzindo a dor e os danos.
Cuidar do bruxismo envolve cuidar do corpo e da rotina. Abordagens eficazes incluem ajustes de hábitos, fisioterapia orofacial, técnicas de relaxamento, controle do estresse e terapia comportamental. Uma abordagem personalizada costuma trazer os melhores resultados. Mudanças no estilo de vida, como uma rotina de sono adequada, redução da cafeína e nicotina à noite, exercícios de respiração, consciência postural da mandíbula e pausas ao longo do dia, também podem diminuir a ativação do sistema nervoso e o tônus mandibular.
Criar um ritual de desaceleração antes de dormir pode ajudar a reduzir episódios noturnos. Alongar a musculatura da face, pescoço e ombros, evitar telas perto da hora de dormir, aplicar compressas mornas e fazer exercícios de respiração profunda podem diminuir a tensão acumulada ao longo do dia.
Fonte: vidasimples.co