No reino fascinante das bromélias, a Puya alpestris, popularmente conhecida como torre de safira, destaca-se pela sua inflorescência azul-esverdeada metálica, um espetáculo raro e efêmero. Originária das regiões montanhosas do Chile, essa planta de crescimento lento guarda um segredo: uma floração única que pode levar décadas para ocorrer, marcando o fim do ciclo de vida da planta-mãe.
Adaptada a ambientes áridos e rochosos, a torre de safira enfrenta invernos úmidos e frios, com geadas e neve nas maiores altitudes, e verões quentes e secos. Sua distribuição se estende por até 2.200 metros acima do nível do mar, em encostas secas e afloramentos rochosos dos Andes chilenos. O nome Puya, derivado do idioma quéchua, significa “ponta” ou “espinho”, em referência às folhas pontiagudas da planta. Já o termo alpestris, de origem latina, significa “das montanhas”, uma alusão ao seu habitat natural.
Atualmente, um exemplar floresce no Jardim Botânico das Montanhas Azuis, na Austrália, um feito notável considerando a altitude inferior em comparação com seu habitat nativo. A expectativa é que a floração se estenda até o início ou meados de dezembro, dependendo das condições climáticas.
A Puya alpestris é uma planta herbácea perene de grande porte, atingindo de 1,2 a 5 metros de altura. Suas folhas verde-escuras, dispostas em roseta, podem chegar a 1,2 metros de comprimento e 5 centímetros de largura, com margens serreadas e espinhos curvos e afiados. As raízes, ao contrário de outras bromélias, fixam-se ao solo, adaptadas a solos pedregosos e pobres em nutrientes.
A floração é um evento único e espetacular, que ocorre apenas uma vez em um período de décadas. A inflorescência, em forma de panícula ereta, pode alcançar até 2 metros de altura. As flores, densamente reunidas, apresentam pétalas de até 6 centímetros de comprimento, com uma coloração azul-esverdeada metálica que contrasta com as anteras laranjas vibrantes, um atrativo para polinizadores como beija-flores.
No ambiente natural, a floração ocorre entre outubro e dezembro. Em cultivo, é mais rara, devido ao crescimento lento e ao tempo necessário para florescer, que pode variar de 7 a 15 anos ou mais. Fatores como chuvas e variações de temperatura influenciam a floração, mesmo nas populações naturais do Chile central.
Após a floração, a planta-mãe produz de três a oito mudas laterais, que podem ser separadas e replantadas. O ciclo de vida se encerra com a frutificação, quando a planta-mãe morre. O fruto, uma cápsula seca, libera sementes pequenas com asas, dispersas pelo vento.
O cultivo da torre de safira no Brasil é considerado difícil, devido às condições climáticas distintas de seu habitat de origem. Para um desenvolvimento saudável, é fundamental reproduzir as características do ambiente natural, com solo leve e bem drenado, alta exposição ao sol, temperaturas entre 10 e 25 °C, baixa umidade do ar, rega moderada e boa ventilação.
Devido ao seu tamanho imponente e crescimento lento, a torre de safira é mais indicada para paisagismo, em jardins de rochas ou de inspiração andina e desértica. Caso cultivada em vasos, estes devem ser grandes e bem drenados, expostos ao sol e ao ar livre.
A Puya alpestris deve ser adquirida por meio de viveiristas especializados, com material de origem legal e controlada. A propagação pode ser feita por mudas jovens, obtidas a partir de brotações laterais, ou por sementes. A produção de néctar com alta concentração de açúcares torna a bromélia um importante recurso alimentar para a fauna local.
Fonte: revistacasaejardim.globo.com