A arte de caminhar sem rumo para desacelerar a mente

Diego Brito
Diego Brito

Em meio à pressa constante da vida moderna, onde o tempo parece escapar entre os dedos e a ansiedade se torna companheira inseparável, surge um convite para redescobrir a beleza da lentidão: a arte de flanar. Mais do que simplesmente caminhar, é uma experiência de imersão no presente, um ato de contemplação que permite desvendar os detalhes que a rotina apressada obscurece.

O termo “flanar” tem suas raízes no francês “flâner”, que evoca a ideia de vagar sem destino, de se deixar levar pelos caminhos sem a imposição de um objetivo final. A figura do “flâneur”, o observador atento da vida urbana, ganhou destaque no século XIX, em Paris, com as reflexões do poeta Charles Baudelaire e, posteriormente, do filósofo Walter Benjamin. Para eles, o flâneur era capaz de decifrar os sinais sutis da cidade, de captar a essência da vida moderna em seus momentos mais fugazes.

No entanto, com o avanço do capitalismo e a transformação das cidades em espaços de consumo, a experiência de flanar se viu ameaçada. O transeunte apressado, focado em suas tarefas e compromissos, perdeu a capacidade de contemplar e se conectar com o ambiente ao seu redor.

Contudo, a necessidade de resgatar essa prática se torna cada vez mais evidente nos dias de hoje. Em um mundo dominado pela tecnologia e pela velocidade da informação, flanar surge como um antídoto para o estresse e a ansiedade. É uma forma de meditação em movimento, que permite desacelerar os batimentos cardíacos, acalmar a mente e despertar os sentidos para as pequenas maravilhas que nos cercam.

Ao flanar, o tempo parece perder sua urgência, e a atenção se volta para o presente. É possível observar os pássaros no céu, sentir a brisa no rosto, apreciar a arquitetura dos prédios, perceber a diversidade das pessoas que cruzam o nosso caminho. Cada passo se torna uma oportunidade de descoberta, cada olhar revela um novo detalhe.

A atriz Vera Holtz compartilha sua experiência pessoal com a prática de flanar, revelando como ela a utiliza como fonte de inspiração para seus personagens. Para ela, caminhar sem rumo é uma forma de “ler a vida”, de decifrar os sinais da cidade e das pessoas, de captar o ânimo e as emoções que permeiam o ambiente urbano.

Stella Prada, fundadora de um centro de terapias integrativas, destaca os benefícios terapêuticos de flanar, comparando-o a uma meditação em movimento. Segundo ela, essa prática acalma a mente, reduz o estresse e aumenta a capacidade de apreciar os momentos simples da vida.

Mesmo em meio à agitação das grandes cidades, é possível encontrar espaços para flanar e redescobrir a beleza do cotidiano. A chave está em mudar o olhar, em se permitir vagar sem pressa e em se conectar com o ambiente ao seu redor.

Guilherme Santinho Jacobik, professor de pedagogia, ressalta que a experiência de flanar não se limita à contemplação da natureza, mas também envolve a interação com as pessoas e a prática de atos de gentileza. Para ele, a humanidade se manifesta nas relações e nos pequenos gestos, que só podem ser percebidos quando desaceleramos o ritmo e nos permitimos estar presentes no momento.

Diante dos desafios impostos pela vida moderna, reservar um tempo para flanar se torna um ato de coragem e um investimento na saúde mental e emocional. É uma oportunidade de se reconectar consigo mesmo, de despertar a criatividade e de redescobrir a beleza que se esconde nos detalhes do mundo ao nosso redor.

Fonte: vidasimples.co

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